Os filhos chegaram… E agora José?

Os casais com filhos que escapam das grandes crises de relacionamento são justamente aqueles que, desde a gravidez, compreendem que as mudanças irão acontecer, reconhecem que será necessário um período de adaptação.

00
Relacionamentos
casal-bebê

Um casal apaixonado pode perfeitamente evitar a situação de crise.

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu… os filhos chegaram, e agora, José?

Os votos matrimoniais de amar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, hoje, mais do que nunca, parecem não suportar a chegada de um bebê.

A força do amar-te e respeitar-te “até que a morte nos separe”, cada vez mais, dá lugar ao peso do “até que os filhos nos separe”.

O nascimento de uma criança, apesar de esperado pelo casal que professa amar em todas as circunstâncias, inegavelmente, tem representado um risco de crise para os esposos.

É o chamado “Baby-Clash”.

É muito simples, não precisa de muita explicação: basta um casal despreparado, uma, duas ou mais crianças correndo pela casa, algumas noites sem dormir e pronto. Eis a receita de um colapso!

Os filhos, de uma hora para outra, passam de um sonho a uma prova de fogo (para não chamar de pesadelo).

Mas, calma, o Corpo Explica te ajuda a entender o porquê dessa crise de infelicidade pós-parto.

Filhos X felicidade do relacionamento

Um estudo britânico, realizado pela Open University, revela que essa rivalidade está cada vez mais presente.

Em um universo de 5 mil homens e mulheres, a maioria dos casais que não tiveram ainda o primeiro filho, afirmaram que se consideram mais felizes, justamente por acreditarem que conseguem dedicar mais tempo à manutenção do relacionamento.

Os esposos parecem não lidar muito bem com a chegada de um indivíduo dependente, que precisa de atenção, de carinho e de tempo.

Os desafios são agravados, principalmente, porque, hoje em dia, a esmagadora maioria dos casais decidem ter filhos apenas quando já acumulam inúmeras responsabilidades profissionais e sociais bem sólidas, que não podem ser negligenciadas com a chegada de uma criança.

Assim, as poucas horas de sono, o estresse dos serviços acumulados, as inseguranças e as mudanças da rotina, que antes se limitava a duas pessoas adultas e que andavam com as próprias pernas, podem se tornar o cenário de um enorme pesadelo.

Para alguns, isso representa o fim de um relacionamento feliz.

É como se o passado do relacionamento sem filhos se tornasse o referencial único de felicidade do casal.

Pelo fato dos filhos provocarem mudanças nesse cenário, é comum que os pais não saibam lidar com as novas preocupações, pois a dependência constante de uma criança pode gerar, na maioria dos casos, uma preocupação elevada que acarreta pequenas e até grandes crises.

Entender as causas disso tudo é fundamental para se esquivar das suas consequências.

Principais causas do Baby-Clash:


  1. Não aceitar as mudanças inevitáveis.

Quando uma criança é colocada no mundo, nenhum casal irá conseguir se manter imune às turbulências que são desencadeadas daquele evento, nem se estiverem se esforçando muito para isso, pois a nova realidade da casa não pode ser ignorada.

É preciso aceitar o que está diante dos olhos do casal: os brinquedos estão pela casa, as contas estão mais altas, a feira está durando menos, o tempo para programações a dois não é mais tão grande.

Essas são circunstâncias que vão acontecer! Elas são inevitáveis!

Não aceitar os problemas que surgem dessa nova fase, ignorá-los ou se desesperar diante deles é pedir para que uma crise aconteça.

Os casais com filhos que escapam das grandes crises de relacionamento são justamente aqueles que, desde a gravidez, compreendem que as mudanças irão acontecer, reconhecem que será necessário um período de adaptação, que exige paciência, diálogo e abdicações, e, a partir disso, programam-se para uma vida a dois, mesmo que o número de membros da família esteja crescendo.


  1. Preocupação desproporcional com os filhos.

Atenção, pais, o relacionamento é entre DUAS pessoas!

O que mais acontece entre os casais, infelizmente, após a primeira gestação, é a mudança do foco do matrimônio.

Enquanto os filhos não chegam, o casal tem tempo para ter um jantar romântico, para fazer uma viagem, para visitar os amigos. Há cuidado na manutenção de uma relação saudável, pois o foco do matrimônio é de fato a relação entre homem e mulher.

Quando os filhos chegam, na maioria dos casos, aquilo que cultivava o afeto entre os dois dá lugar a atenção exclusiva aos filhos.

Para as mulheres, principalmente, essa realidade é a que mais choca, pois dela é cobrada uma responsabilidade maior em relação ao cuidado da casa e à educação dos filhos.

Assim, para elas de maneira mais evidente, mas também para os homens, as demandas de um filho tomam dimensões desproporcionais, de tal forma que elas se tornam o foco do matrimônio.

Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, os filhos se tornam a única preocupação dos lares.

Quando esses dois pontos são negligenciados, é quase IMPOSSÍVEL que se sustente um relacionamento duradouro e feliz.

família-feliz

Pelo fato dos filhos provocarem mudanças nesse cenário, é comum que os pais não saibam lidar com as novas preocupações.

E agora, José? O casamento acabou?

E agora que a crise já está instalada, os filhos já se tornaram uma preocupação desproporcional e os dois já não se consideram felizes?

Homem e mulher precisam entender que todas essas mudanças de circunstâncias vão inevitavelmente ocasionar estresse, cansaço, falta de tempo para fazer o que antes lhes dava prazer, mas que esses novos desafios não devem ser desgastantes e causas do fracasso da relação

É fato que nunca, NUNCA, um casal estará completamente pronto para os desafios de um relacionamento após a chegada dos filhos. A rotina muda, os gastos aumentam, as prioridades se tornam outras completamente diferentes, mas, será que isso é um motivo para esfriar um relacionamento, torná-lo insuportável ou, até mesmo, colocar fim nele?

A resposta é muito óbvia: NÃO.

Senão os votos matrimoniais seriam de amar até a gestação e não até que a morte os separe.

Uma relação só entrará em crise se lhe faltar aquilo que é essencial: tempo de qualidade entre o casal, carinho e atenção mútuos, diálogos constantes necessários para readequar a rotina e as prioridades e, claro, esforço dos dois lados para dar certo.

Se isso existir, os dois vão superar juntos os desafios que encontrarem e vão redescobrir um novo caminho de felicidade, voltado não só aos filhos, mas também a dar-se, cada vez mais, um pelo outro.

Um casal apaixonado pode perfeitamente evitar a situação de crise. Acredite! É possível.

E para isso, quanto mais você conhecer a si mesmo e a outra pessoa, melhor.

 

Não só nos momentos bons, mas também como ela reage às crises e suas fraquezas.

 

E nisso, nada melhor para te ajudar do que os traços de caracteres.

Quando você e seu esposo(a) entenderem isso, conhecerem-se mais e olharem um para o outro de forma mais completa, acredite: o amor só vai aumentar, as crises vão acabar.

 

E aí você, sua mulher/marido, seu filho, em resumo, a família toda sairá ganhando.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

No comments found.

Veja mais na categoria

Power by::